*APROVEITE*
Dizem que mãe tem cheiro. De macarronada, de feijoada, de galinhada, de avental sujo de ovo, e por aí vai.
Eu não sei de nada.
Minha mãe não gostava de cozinhar… mas, quando cozinhava, tinha um motivo.
E que torta de limão era aquela, mãe?
Não era todo dia. Não era rotina. Era especial. Era Natal.
Eu lembro da gente na cozinha, dividindo espaço, rindo, bagunçando, tentando acertar. A receita talvez nem fosse perfeita… mas o momento era.
Esse cheiro de torta de limão ficou guardado em mim.
Mais do que o gosto, ficou o tempo junto.
E o cheiro da minha mãe?
Não era só perfume.
Era presença. Era força. Era o cansaço de quem trabalha muito, misturado com a leveza de quem ainda encontra tempo pra rir.
Minha mãe é forte.
Minha mãe é divertida.
Minha mãe é trabalhadora.
E mesmo sem gostar de cozinhar, ela fazia.
Fazia porque era por nós. Porque era amor do jeito dela.
Hoje, o mundo vive corrido, tudo é rápido, tudo é substituível. Mas algumas coisas não são.
Eu não trocaria nenhum Natal na cozinha com ela.
Nenhuma risada.
Nenhuma tentativa.
Nenhum pedaço daquela torta de limão.
Porque no meio da simplicidade, existia tudo.
Companhia de mãe é isso: parceria de verdade. Sem fraude. Sem pressa. Só presença.
E mesmo ela estando aqui, eu já entendo o valor.
Já sinto a importância.
Porque mães ficam.
Ficam nos momentos.
Ficam nas memórias.
Ficam nos cheiros.
E, pra mim, minha mãe sempre vai ter cheiro de torta de limão.